




CURSO DE PEDAGOGIA
PEDAGOGIA SOCIAL
ILHA DAS FLORES
O curta-metragem “Ilha das Flores”, de Jorge Amado, traz algumas especificidades relacionadas ao ser humano. De forma determinada ele começa com a introdução orquestral de “O Guarani”, música do maestro Carlos Gomes, tema da “Voz do Brasil”, programa da rádio Governamental que proclama o pensamento político e que tornou-se obrigatório em 1938, no governo de Getúlio Vargas. A trama social e política inicia ao som da voz do ator Paulo José, que de uma forma tranqüila, porém com emoção descreve a situações encontradas e a forma como o ser humano dotado de tele-encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor, consegue resolver suas coisas.
Os atores sociais são diversos. O senhor Suzuki, que planta seus tomates para trocá-los por dinheiro, no supermercado, junto com seus empregados; a senhora Anete, que é vendedora de perfumes, que os troca por dinheiro, e compra estes tomates para o preparo de um molho exibindo-se na ética do cuidado em relação a sua família, que se constitui em esposo e filhos. Todos com tele-encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor, logo, seres humanos.
No segundo momento, onde inicia a parte central do filme as ações e a trama social e política se modificam. O cenário anterior que oscilava entre a plantação de tomates, os locais de venda de perfume de dona Anete e sua casa, dá lugar a um novo cenário. As relações de poder e as forças de conflito geralmente acontecem em lugares distantes dos olhos humanos, e por conseqüência longe dos sentimentos do coração, é assim em Ilha das Flores, pois o nome não se relaciona em nada ao lugar. Partindo do cenário onde a luta se desenvolve, em uma particularidade de extrema miserabilidade; de um lado os atores os sociais são representados por mulheres e crianças que embora tenham um “tele encéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor, logo são humanos, não tem dinheiro e nem quem as cuide”. Do outro lado os atores sociais do poder centralizado, constituídos pelo dono dos porcos e seus empregados, ele por sua vez também possui tele-encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor, mas além de ser humano, tem dinheiro.
Quanto à relação de forças, um indicador quantitativo de uma perspectiva de gênero traria de forma esclarecedora o quanto o homem se destaca pela sociedade como detentor de poder em relação ao chamado “sexo frágil”, feminino. Esta relação de força, de domínio e de subordinação se estampa quando se percebe este grupo de mulheres e crianças que pela fome se sujeitam a recolher como animais restos de comida misturados ao lixo, que na verdade não são destinados nem mesmo aos porcos, porque não são próprios a eles, que tem seu dono, que possui dinheiro, terreno e empregados.
Perceber o conjunto de problemas que se encontra por trás da análise de conjuntura do curta-metragem “Ilha das Flores” é a ação de não somente analisar seus atores, seus cenários e seus acontecimentos, mas sim relacioná-los com os movimentos, contradições e condições que o geraram. Partindo de uma análise social e política poderia dizer que a fome é uma epidemia, dentro de uma conjuntura de políticas públicas onde a pobreza não é estrutural, e sim uma invenção histórica.
Para terminar acrescento a esta análise uma reflexão e um poema que poderão auxiliar na compreensão deste texto.
“As políticas nacionais e internacionais tem conseguido que a concentração da renda e a pobreza cresçam em ritmo acelerado, ampliando os diferentes tipos de conflitos sociais. A insegurança nascida desta organização político-sócio-econômica desvela-se nos relacionamentos precários e na perda de valores sociais que anteriormente se mostravam muito importantes.” (MANZINI – COVRE, 2004).
Dione Gauto
Professora:Simone Dorneles
Disciplina: Pedagogia Social
"Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho - saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria educação ou a sua construção." ( FREIRE, 2004, p.47)
Acredito que a mediação pedagógica é a base para uma aprendizagem sadia, porém percebo que muitas vezes ela não acontece. Muitas escolas trabalham na linha da educação bancária, através da transmissão do conhecimento "apriori", permitindo que seus professores sejam "facilitadores" como exemplifica Rogers, não acreditando que o raciocínio possa acontecer e fornecendo respostas fortificando exemplos de "compaixão." Ao contrário disto em uma escola onde o currículo permanece aberto, favorecendo a multiculturalidade, teríamos a proposta de Paulo Freire, na realização de uma educação problematizadora. Nela a mediação pedagógica se faz presente, e o papel do professor é o de mediar a construção dos conhecimentos, investigando o sujeito e organizando os saberes que dele emergem. O professor transforma-se em um incentivador, motivador da aprendizagem, um facilitador que permite que seus alunos sejam sujeitos do processo, através das críticas, questionamento e debates, relacionados a suas vivências, portanto uma aprendizagem com significado.