quarta-feira, 11 de novembro de 2009


O filme “Minha vida em Cor-de-Rosa, retrata inicialmente um cenário que compõe uma família tradicional, padronizada, morando em um bairro de classe média alta, onde os vizinhos aparentemente se respeitam, e vivem em “perfeita sintonia”“. Os atores sociais são diversos, a começar pelo menino Ludovic, com apenas sete anos, a mãe, o pai, a avó, dois irmãos e uma irmã, os moradores dos arredores, professora, diretor da escola e psicóloga. Em uma análise teórica a partir do filme, as relações de gênero e poder sempre existiram, porém se intensificam quando Ludo, como é chamado, demonstra sua insatisfação por ser menino. O que já havia acontecido outras vezes, agora começa a ser constrangedor, no momento em que o menino viaja em sua fantasia infantil, acreditando que ao vestir-se de mulher poderá despertar sua feminilidade e transformar-se por completo em uma menina. Para Freud, a segunda grande força da psicologia, a psicanálise, explicaria como estudo de caso o pequeno Ludo exercendo sua libido, suas pulsões de instinto. A estrutura de sua personalidade revela a força de seu Id, permanecendo, mesmo diante das represálias dos pais com o mesmo desejo e propósito firme de transformar-se em menina. Os sonhos que tinha, conteúdos de seu inconsciente buscavam afirmar-se em sua realidade, intermediando entre as fases psicossexual fálica, reforçada pelo complexo de Édipo, e da latência, onde predomina a inquietação sexual. Ludo mantém um laço afetivo estreito com a mãe e a avó, que funciona quase como uma hipnose em determinados momentos do filme, e deixa florescer ainda mais seus desejos de leveza em plenitude, o que configura a figura feminina. A trama continua na medida em que os acontecimentos são tecidos ao redor da família, o menino é levado à psicóloga onde os pais tem o desejo de conduzir o atendimento, pois permanecem em junto com a criança, ouvindo e relatando seus desejos. O autor por sua vez descreve um atendimento psicológico precário, onde o cliente jamais estreitaria laços de confiança, o que é indispensável para qualquer caso, e por este motivo não consegue estabelecer vínculo algum e fracassa. O pai se descontrola pois seu pensamento adormecido começa a revelar-se principalmente no momento em que aceita a opinião de seu chefe, a mãe por sua vez começa a deixar de lado seu desejo de amar, e libera um desejo de revolta contra seu filho. A família começa a desestruturar-se, o pai perde o emprego, mudam de bairro, e toda a comunidade em sua hipocrisia política agradece aqueles que se afastam pois já não são tão belos, ou tão perfeitos como eram avaliados. O menino Ludovic continua crescendo e como ele tantos e tantas crescem e crescerão independente de nossas atitudes, pois como plantas precisam crescer, mas também precisar afirmar-se através da autonomia de seus atos. O filme revela algo que é comum diante da faixa etária de Ludo, porém a visão torpe dos pais e comunidade pode ter realizado o que não deviam, ou seja despertar um mecanismo de defesa de isolamento ou negação, reprimindo o que faz parte de uma fase, afinal Freud explica: a sexualidade começa a definir-se a partir dos 11 anos, logo, tudo antes disto é fantasia.

1 comentários:

Edu O. disse...

Este é o meu filme preferido. Parabéns pelo texto!

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Sou estudante de pedagogia, casada, cursando o terceiro semestre, apaixonada pela educação e aprendiz permanente. Acredito que o ser humano está constantemente em construção através de suas relações e suas realizações.